Sobre o projeto "Conchas: esquinas e histórias"
Toda rua tem uma esquina; e toda esquina tem uma história. Os nomes das ruas de Conchas. Tá aí uma coisa que, sem nenhuma explicação clara, sempre me despertou um certo tipo de fascínio desde que me conheço por gente.
Já tentei, em alguns momentos, entender a razão por trás disso, e tenho algumas teorias. A principal delas é o fato de ter nascido aqui e morado os primeiros anos de minha vida em uma rua com o nome de um antepassado, meu bisavô paterno, Albino Zuliani.
Eu sempre achei isso incrível, e lembro de ter perguntado ao meu pai, várias vezes, a razão disso acontecer. E anos depois, descobri que perto de onde passei boa parte da minha infância, mais uma rua com apelo emocional: Claudino da Silva Pinto, meu trisavô materno — que passa por uma praça com o nome de seu filho, e meu bisavô, Narciso da Silva Pinto.
Em algum momento, sem perceber, decorei (quase) todas as ruas da cidade: sabia dizer em que bairro ficavam, que tipos de placas estavam penduradas nas paredes e esquinas — e quais delas nem placas de identificação tinham.
Estes nomes tinham se tornado meus “amigos”.
Sabia dizer onde eles estavam, um pouco sobre a história de cada um deles, mais ou menos quando “chegaram ali”. Mas tudo de relatos de terceiros, sem nada “oficial” por trás. Foi aí que percebi que poderia usar isso para contar histórias.
Que eu conhecia os nomes espalhados pela cidade, mas não conhecia as histórias por trás deles, tal como eu já conhecia a fundo a minha própria história.
Este foi o impulso por trás do livro: contar as histórias que temos contato todos os dias, nas esquinas que passamos, mas que nós mesmos não sabemos. E que talvez suas próprias famílias não saibam.
É uma “super biografia” da cidade, composta por centenas de “mini biografias” das pessoas que aqui passaram. É um movimento de conexão, de histórias que são feitas para serem contadas e que quando reunidas, uma após a outra, contam quase que por completo a nossa história de mais de 100 anos de Conchas como cidade.
São pessoas nascidas em diferentes bairros da cidade, até mesmo em outras cidades, estados e países, mas que, de um jeito ou de outro, escreveram suas histórias de vida, mesmo que por pouco tempo, conectadas aqui.
E agora é hora de passar essas histórias para frente. É hora de apresentar a vocês “alguns dos meus amigos”, que espero que se tornem, daqui em diante, seus amigos também.

JOSÉ LUIZ ZULIANI
É conchense, pai da Isabela e do Gael.
Jornalista pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e publicitário do agronegócio há mais de 10 anos.
A partir das próximas páginas, torna-se também autor, historiador e biógrafo, mas ainda está aprendendo.
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