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MARIA ANTÔNIA DE PAULA

RUA

1914 — 1990

CATEGORIA

CIDADÃ HISTÓRICA

CONCHAS B

BAIRRO

HOMENAGEM

2004

É considerada como a principal parteira da cidade de Conchas, ofício de extrema importância e necessidade no início de nossa história, antes de nossa urbanização e da criação da maternidade da Santa Casa de Misericórdia.


Aqui, deixamos o relato original, cedido por seus filhos, contando um pouco sobre sua história.


Nascida em 1º de abril de 1914, Maria Antônia de Paula foi uma conchense que cresceu, constituiu família e viveu toda a sua vida no município de Conchas.


Filha de Francisco José de Paula e Dionísia Maria das Dores, teve uma infância simples e modesta. Aos dezenove anos, em 23 de julho de 1933, casou-se com seu companheiro de toda a vida, João Gobo. O casal passou a residir no Bairro Santo Antônio, onde fincou raízes e criou os cinco filhos: Pedro, Benedita, José, Salete e Joana.


Apesar da rotina exaustiva, dividida entre os afazeres domésticos e o trabalho no sítio, sua maior contribuição para a história de Conchas foi, sem dúvida, sua reconhecida atuação como parteira. Em uma época em que o acesso aos recursos médicos era limitado, o auxílio prestado por pessoas abnegadas como Maria Antônia era de valor inestimável.


Embora tenha se tornado célebre por sua habilidade, sua trajetória nesse ofício teve um início inesperado. Conta-se que, certo dia, enquanto acompanhava a cunhada em trabalho de parto, o marido da gestante saiu em busca de uma parteira. Diante da demora, o bebê acabou nascendo pelas mãos de Maria Antônia. Essa experiência marcou profundamente sua vida e despertou nela a vocação de auxiliar outras mulheres em um dos momentos mais emblemáticos da existência: trazer ao mundo uma nova vida.


A partir de então, o que fora mera obra do acaso transformou-se em missão. Maria Antônia passou a exercer, de forma voluntária, a função de parteira, dedicando-se por quase cinco décadas ao atendimento de gestantes de Conchas e da zona rural.


Com espírito solidário e profundo senso de responsabilidade, não media esforços para socorrer quem precisasse, fosse durante o dia, à noite ou na madrugada, muitas vezes montada no dorso de um cavalo. Bastava ser chamada, e lá estava Dona Maria Antônia, sempre pronta para ajudar, com serenidade, dedicação e carinho.


Em razão das dificuldades de deslocamento da época, muitas gestantes permaneciam hospedadas em sua casa nos dias que antecediam o parto, aguardando o nascimento dos filhos sob seus cuidados. Como demonstração de gratidão, era comum que as famílias a convidassem para ser madrinha das crianças que ajudava a trazer ao mundo. E foram centenas delas.


Embora jamais cobrasse pelos partos, frequentemente recebia, como forma espontânea de agradecimento, alimentos produzidos pelas próprias famílias, como grãos, frutas, frangos, leitoas, carnes e outros mantimentos. Esses gestos não apenas revelavam, mas evidenciavam o profundo reconhecimento da comunidade pelo trabalho generoso que realizava. Sua notoriedade foi tamanha que a própria Santa Casa de Conchas passou a solicitar seus préstimos.


Após dedicar quase cinquenta anos de sua vida a essa nobre missão, deixou de atuar em razão do agravamento de sua saúde. Permaneceu acamada durante os últimos oito anos de vida, mas conservou a memória lúcida, compartilhando com familiares e amigos as muitas histórias acumuladas ao longo de sua extensa trajetória.


Maria Antônia de Paula faleceu em Conchas, em 16 de novembro de 1990, aos 76 anos. Está sepultada no município onde viveu toda a sua vida. Seu legado permanece não apenas na memória de inúmeras famílias conchenses, marcadas por sua generosidade, coragem e dedicação ao cuidado com o próximo, mas também naqueles que carregam um pouco de sua essência: seus filhos, netos, bisnetos e todos os que tiveram suas vidas tocadas por sua extraordinária missão de servir.

RUA

MARIA ANTÔNIA DE PAULA
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